Depois do envio de José Sócrates para um centro de novas oportunidades em Paris e na iminência de Santana Lopes privatizar o Totobola, os sócios desta Taberna sentiram-se obrigados a tomar as rédeas do país, tendo como base de comando este espaço!

26 de novembro de 2012

Ana Moura - Desfado


Até agora está a soar muito bem. "Até ao Verão" é um grande fado. A interpretação de "A Case of You" da Joni Mitchell está engraçada. Quase obviamente a melhor música do álbum é "Dream of Fire" com participação de Herbie Hancock.
Não sou o maior fã de fado, mas o que ressalta desde disco é o ambiente sonoro que equilibra de forma perfeita todo o conceito do álbum que Ana Moura pretende transmitir. Se não tivesse tão bem produzido seria um risco enorme e provavelmente teria resultado numa miscelânea pouco recomendável. Assim, está um álbum bom de se ouvir com alguns momentos que valem a pena.

Biblioteca Digital DN (6)

O conto de Dulce Maria Cardoso - Coisas que acarinho e me morrem entre os dedos - foi o décimo primeiro desta série. Sem ser muito bom, tem uma estrutura bem definida e que resulta, está bem escrito e o fio condutor é claro. A ironia presente nalgumas partes do conto fizeram com que valesse a pena relê-lo. Só por esse momento de prazer já valeu a pena.

Normalmente gosto muito de ler o Pedro Mexia. Seja no Expresso ou na revista LER, onde escreve com regularidade, seja noutras participações, seja em blogs (embora a Lei Seca tenha encerrado recentemente). Apesar de não ter lido nenhum dos seus livros.
O conto - Defensor do Vínculo - com que presentou esta série está extremamente bem escrito, como não podia deixar de ser vindo de Pedro Mexia, está cheio de referências bem mais profundas do que pode aparentemente parecer. Mas, na minha opinião foram as referências e as questões de origem semântica e até filológica em jeito de auto-interrogação que fizeram com que o conto se tornasse interessante. Fora isso, apenas a qualidade da escrita vingaria nesta participação de Pedro Mexia. Esperava mais.

23 de novembro de 2012

Mas quem é o Sporting?

Ouço muita gente do Sporting escandalizada com derrotas com os Videotons e os Basileias deste mundo. Normalmente dizem coisas como:
"Mas como é que é possível perder com o Basileia? Nós somos o Sporting, aqueles gajos não são nada ao pé de nós!".
ou
"Para o que havíamos de estar guardados. Perder com o Basileia... Uma equipa da terceira divisão europeia!".

Pois bem, acho que depois das duas piores presidências da história do Sporting (dificilmente existirá, entre todos os clubes do mundo, uma sequência de presidências tão má), a pergunta que se deve colocar é a seguinte:
Mas afinal quem é o Sporting?

Basta atentar à forma como os clubes se apresentam nos jogos contra o Sporting para facilmente se perceber que há muito o Sporting perdeu o estatuto que teve. O Sporting que os sócios e adeptos ainda mantém vivos na memória não passa hoje de um triste e moribundo figurino. E é este ajustamento que os adeptos têm que fazer. Que muito me custa e custará a todos, mas é a realidade.

Não deixando porém de acreditar que o ressurgimento é possível. Porque as características, os elos de personalidade, por serem parte da idiossincrasia inicial do clube, estão lá. Mas será preciso um grande grito para acordar este gigante. E não é com esta gente que tem dirigido o clube.

22 de novembro de 2012

Para descontrair


Quando o trabalho aperta e o tempo é pouco, adapta-se o estilo da leitura. E nada como uma história de malandragem (excelente a definição de Gonçalo M. Tavares no prefácio) cheia de episódios cómicos e irónicos para descontrair.

20 de novembro de 2012

Percepções e Realidade *

Há alturas em que tenho alguma dificuldade em discernir se as percepções que tenho são de facto a realidade. Filosoficamente a questão poderia ser colocada no prisma das várias realidades individuais e da forma como as percepções dos indivíduos e os estímulos a que estão sujeitos as influenciam e definem ou tendem a definir. Resulta claro que as percepções são ambíguas de indivíduo para indivíduo, mas a realidade, semanticamente analisada não deveria deixar muito espaço para a ambiguidade. Caso contrário a semântica do termo poderá encontrar nela própria um antagonismo.
Outra questão é a forma como, nas tais mesmas alturas, parece que as percepções assumem uma atitude  intrigantemente persecutória, como que a querem comandar a realidade. O que, de certo modo, acaba por acontecer.
Mas, adiante.
Vem esta entrada - provavelmente despropositada e incrivelmente falível ou falhada - a propósito da forma como tenho esbarrado, quase literalmente, em tudo o que é informação, em tudo o que são críticas e opiniões sobre o lançamento, em português do livro de David Foster Wallace, "A Piada Infinita", quer através de vários jornais que me chegaram por puro acaso e que não costumo comprar, quer seja por ter ido parar, de forma totalmente casuística e até arbitrária, a alguns blogs e sites.
Ainda para mais não há uma única opinião que tenha lido que não considere o autor e o livro geniais. Embora, em alguns casos, haja a assumpção e a honestidade de assumir que não terminaram o livro. O que não invalida que a percepção da genialidade esteja formada.
Desde sexta-feira que consumo informação sobre este tema. E a percepção que tenho é que a realidade atribuiu uma relevância enorme a este feito. Pergunto-me, nesta altura (uma das tais): 
terá sido esta a realidade ou simplesmente mais não foi que a minha percepção?

P.s. Não sei se algum dia lerei o livro, se o fizer não o colocarei no currículo (como desejava a jornalista do i), mas definitivamente vou querer tê-lo.

*Título, unicamente o título, retirado de um livro de Santana Lopes.

19 de novembro de 2012

Elitismo primário

Esta gente socialista não pára. Vivemos uma das maiores crises nacionais de sempre. Todos os dias se ouve falar da necessidade de poupar e de não viver acima das possibilidades, mas depois há ideias que vêm de cabeças da vanguarda socialista que nos deixam confundidos.
Quem tem carros anteriores a 2000 toca de ir trocar de carro, se quiserem andar nas zonas mais centrais de Lisboa. Senão, já sabem, têm que pagar.
Há duas causas de impostos em Portugal:
1) os impostos inventados por socialistas, sempre para o bem das pessoas, obviamente;
2) os impostos necessários para tapar os buracos financeiros socialistas.

Reportagem aqui.

Biblioteca Digital DN (5)

Quando olhei para a cronologia de contos do DN sombreei para mim uma sequência que começava com Inês Pedrosa, seguia para Afonso Cruz, Gonçalo M. Tavares, Manuel Jorge Marmelo, Mário de Carvalho, Dulce Maria Cardoso e terminava com Pedro Mexia.
Há uma outra sequência, David Machado, JP Simões e Rui Cardoso Martins, que também me desperta interesse prévio.
Mas, voltando ao primeiro conjunto que identifiquei, a expectativa era alta. E, lidos que estão 5 contos desses 5 autores, a aposta parece acertada. Logicamente a expectativa conjunta não era repartida de forma igual. Por exemplo, a expectativa pelo conto de Afonso Cruz e Manuel Jorge Marmelo era maior que a de Inês Pedrosa ou de Dulce Maria Cardoso. A valorização de cada uma das expectativas tem diversas variáveis associadas, algumas delas mensuráveis, mas quase todas elas subjectivas. Embora não importe minimamente escalpelizá-las agora.
Quero apenas referir que o autor sobre o qual recaia a minha maior expectativa, por motivos totalmente subjectivos, como por exemplo as capas e os títulos dos livros, a sensação de “compra-me que é para teu bem” que uma vez tive ao pegar num livro dele, era Manuel Jorge Marmelo.

O nono conto desta colectânea é precisamente o de Manuel Jorge Marmelo, As Saudades que tenho de Inácia. Desta vez não direi nada sobre o conto, até porque duvido muito do interesse que as coisas que digo possam ter. Quem o dirá é o próprio autor. Com frases que têm tanto de cru como de certeiro, como - “E ainda não encontrei coisa mais desigualmente distribuída do que a feiura e o seu oposto.” – ou - “Coitado de quem vem ao mundo condenado pelos pecados que não cometeu.”. Passagens em cuja ironia, apesar de presente, não se suplanta à assertividade da mensagem - “Se existisse um deus moldando as pessoas do mundo, ele seria só o mais desastrado dos oleiros.” – e com descrições que, embora conhecidas e se saibam e desejem temporais, são de uma profundidade intrigante nunca perdendo o toque de ironia - “Mas eu amava-a como suponho que se deva amar uma mulher: chegava a horas para o jantar, fazia por andar lavado, evitava beber muito grogue, entregava-lhe a féria e procurava-a na cama (pontualmente).”.
Um conto sobre pessoas, sobre vidas, sobre a coexistência entre a banalidade e a complexidade das relações, sobre consciência.
É, até agora, o melhor conto desta colecção (e não tenho qualquer receio de dar ordem às coisas), o que quer dizer que o nível claramente se elevou com as últimas publicações de contos.
E agora, se me dão licença, vou ali à Pó dos Livros comprar um livro do Manuel Jorge Marmelo e provavelmente acrescentar mais algum à minha “wish book list”. Depois logo conto como foi a experiência de ler um livro deste escritor.

A primeira dezena de contos ficou completa com A Porrada, de Mário de Carvalho. Um conto insípido, sem grande desenvolvimento e com a originalidade típica de uma fotocópia. Talvez a ideia Mário de Carvalho com este conto fosse sugerir aos leitores que vissem o “Fight Club”, que de facto é um filme fantástico e imperdível. Mas para isso teria sido preferível que o tivesse assumido em jeito de nota final ao conto, pelo menos dúvidas sobre o objectivo do conto tinham-se dissipado. Assim, não passou de uma tentativa falhada de escrever alguma coisa com interesse.

16 de novembro de 2012

Não podia estar mais de acordo

Pela segunda sexta-feira seguida, sou "obrigado" a citar o Rui Rocha.
Desta vez por outros motivos. É que o Rui conseguiu exprimir com tamanha exactidão aquilo que sinto em relação a Saramago.

E isso quer dizer o que?


Esta afirmação tão estapafúrdia só poderia vir de um idiota chapado.
Mas o que é que este atrasado mental não percebe?
Mas ainda há pessoas que se deixam levar (liderar) por um tipo desta categoria?

Míscaros 2012


Proposta de fim de semana!
Os Xaral's Dixie lá estarão nos 3 dias do festival!

Estivadores

Segundo o i, finalmente o governo decidiu-se a acabar com a palhaçada da greve dos estivadores, preparando-se para fazer a requisição civil. Não sem antes dar mais uma oportunidade a essa classe de gente que não tem o mínimo respeito pelo país, exigindo-lhes, veja lá, que pelo menos trabalhem em bocadinho.
Realmente, com gente desta é difícil algum governo fazer alguma coisa. Gente que ganha em média € 4 mil por mês. E qual é de facto a grande reivindicação dos homens?
Não querem que uma parte do seu trabalho possa ser feito por outras pessoas. Mesmo que essa parte do trabalho não exiga grandes competências técnicas. Ou seja, não admitem que sejam contratadas outras pessoas para fazer uma parte do trabalho que eles fazem. Querem continuar a ser principescamente pagos mesmo nas tarefas mais redutoras.
Haja paciência para esta gente e para a porcaria dos direitos adquiridos que a porcaria da nossa constituição consagra como se se tratasse da última coca-cola do deserto. 

15 de novembro de 2012

Um exercício para perceber as coisas

Toca a experimentar se é possível reduzir o défice do estado sem mexer em salários e na função social.
Aqui!

Hoje Teatro


14 de novembro de 2012

Na greve geral nada se propõe e nada se reivindica, tudo se protesta

Vi agora uns miúdos da faculdade, não mais de 50, que iam na Av. da República a gritar qualquer coisa em que Bolonha rimava com vergonha. Não passou de um protesto. Porque na realidade não reivindicavam nada. Apenas protestavam.
Não quero extrapolar directamente para a greve (dita) geral, mas parece-me que o caso é o mesmo.
Aplicando a lei de Lavoisier:
Na greve geral nada se propõe e nada se reivindica, tudo se protesta.
Imagino como Lavoisier ficaria orgulhoso do grande Arménio, este seu genial discípulo.

Leituras


Marguerite Yourcenar
"Contos Orientais"

Não vi um único sinal de greve

Esta manhã não notei uma singular alteração ao habitual.
As 3 carreiras da Carris, que passam na paragem que utilizo, mantiveram a mesma regularidade, apesar de só uma delas constar nos serviços mínimos.
Aliás o primeiro sinal de que a greve não estará a correr bem foi dado precisamente pelo grande Arménio: 9h10min Líder da CGTP acusa Governo de usar polícias para intimidar piquetes.~

P.s. Aguarda-se a todo o momento notícias de Wall Street.

13 de novembro de 2012

Do particular para o geral

Amanhã será o segundo dia mais feliz da vida do grande Arménio Carlos. Vai ser a sua segunda greve geral em menos de um ano. Espero que esta lhe corra melhor que a anterior (em Março) que pouco mais foi que uma insípida tentativa de criar ruído sem qualquer fundamentação.
Para amanhã augura-se o mesmo.
Pessoalmente, sou por natureza contra a greve em si, mas sou completamente contra uma ideia dita "geral" mas que afinal é muito mais circunspecta e fulanizada do que a nomenclatura aparenta.

P.s. Recebo informações de que há polvorosa expectativa acerca do presumível impacto das declarações de Arménio Carlos em Wall Street. Há quem chegue a aventar um mini-crash bolsista.

12 de novembro de 2012

Bata pendurada

E eu que julgava que os médicos, fruto da sua formação, seriam necessariamente pessoas ponderadas e de bom senso.
João Semedo já deve ter arrumado a bata e com a bata foram os princípios, a ponderação e o bom senso.
É que proferir declarações deste género não dignifica ninguém. Muito menos alguém que devia ter maior capacidade para discernir.


"O BE está disponível para coligações nas autárquicas? J[oão[S[emedo]:Onde for preciso reunir a esquerda toda para bater a direita podem contar com o BE.".
Tristes...

Biblioteca Digital DN (4)

Se, pelo título – A Queda de um Anjo - poderá vir imediatamente a lembrança da música dos Delfins, augurando algo de menos de bom ao conto, a originalidade explícita nas primeiras linhas escritas por Afonso Cruz encarregam-se de, rapidamente, eliminar tão desagradável lembrança.
Embora o início prometa mais do que o conto realmente é (a nota final do conto é despropositada), seria incorrecto não o considerar o melhor conto até agora desta iniciativa do DN. Sustentado por um alinhamento simbiótico entre palavras e estrutura, Afonso Cruz leva-nos para o universo onde se sente melhor, o da originalidade. Escudado numa escrita agradável e com fluência.
Para além de que demonstra dominar muito melhor a arte literária do conto do que anteriores autores desta colectânea.

A Moeda de Gonçalo M. Tavares foi o oitavo conto desta série. Um conto que pode parecer abstracto ou absurdo, de onde emerge a clara a influência de Gogol e até de Kafka, mas que no fundo é uma parábola interessante acerca da sociedade e do pensamento dos indivíduos. Além de que está muito bem escrito. Tinha alguma expectativa e não saiu gorada. Gostei.

9 de novembro de 2012

Poupanças vs demagogia de esquerda

O Ruca, essa miserabilista e salazarenta personagem, está a contaminar as mentes tenras das nossas crianças com princípios ecológicos absolutamente indefensáveis. Agora, como é? Isto fica assim, ou segue-se petição?


Post usurpado daqui. Com a devida vénia ao Rui Rocha.