Para variar a Câmara de Alcanena preferiu assobiar para o lado em vez de tomar uma decisão.
Poderiam ter existido propostas algumas alternativas, poderiam ter sido discutidas essas alternativas em sede de Assembleia Municipal, mas, a senhora presidente (com a conivência da maioria da assembleia municipal, com certeza) preferiu a opção de não assumir nenhuma posição acerca da proposta de reorganização administrativa das freguesias do município de Alcanena.
Não há qualquer novidade neste campo, até porque, o pavor por tomar decisões "difíceis" e capazes de ferir susceptibilidades partidárias (e não só, muitas vezes, apenas e só tomar decisões), é coisa que faz genuinamente parte do ADN de qualquer socialista que se preze.
Provavelmente, a senhora presidente, deveria estar a pensar que esta era mais uma daquelas reformas-tipo que o seu ex-primeiro, agora refugiado em França, andava a apresentar pelo país como se de um detergente milagreiro para nódoas se tratasse, e que, como era tónico, nunca passaria disso mesmo, de propaganda, ou seja, nunca entraria em vigor. Pois bem, enganou-se.
Agora, em Alcanena, vão ter que simplesmente acatar a decisão do governo central. Assim, sem mais nada.
O que me leva a questionar sobre a primeira e verdadeira função de uma câmara municipal. Não seria a de dar voz aos seus munícipes? Ia jurar que sim.
Pois bem, a opção desta vez foi exactamente contrária. Foi optar por permitir ao governo central imiscuir-se nas decisões que deveriam ter sido tomadas pelo município. Refazendo a pergunta: Conseguiu a Câmara de Alcanena, neste caso concreto, dar voz aos seus munícipes, apresentando uma proposta minimamente consensual e estruturada? A resposta é óbvia. O que pode levar à simples conclusão de que, neste caso, a sua acção foi completamente inútil, ou, pior, foi conivente, por inépcia, com uma situação delicada, nada consensual e que poderá provocar algumas quezílias.
Por fim, relembro que esta reforma está a ser feita por um partido que está no poder, num cenário de grande austeridade, com eleições autárquicas à porta e para o qual a consequência desta reforma poderá ter um impacto relevante. Por isso, o argumento de que este PSD também não consegue tomar medidas "difíceis" e que é igual ao PS é um pouco, digamos, desajeitado, para não dizer, parvo.
Pode não ter ainda conseguido aplicar algumas das medidas que são absolutamente indispensáveis e que poderiam até ter maior e mais rápido impacto, mas é incrível como se exige num ano e meio a assertividade política que não se exigiu nos últimos 15 anos. Lá para meados de 2014 poderemos avaliar com algum rigor o trabalho do governo.