Se, pelo título –
A Queda de um Anjo - poderá vir imediatamente a lembrança da música dos
Delfins, augurando algo de menos de bom ao conto, a originalidade explícita nas
primeiras linhas escritas por Afonso Cruz encarregam-se de, rapidamente,
eliminar tão desagradável lembrança.
Embora o início
prometa mais do que o conto realmente é (a nota final do conto é
despropositada), seria incorrecto não o considerar o melhor conto até agora
desta iniciativa do DN. Sustentado por um alinhamento simbiótico entre palavras
e estrutura, Afonso Cruz leva-nos para o universo onde se sente melhor, o da
originalidade. Escudado numa escrita agradável e com fluência.
Para além de que
demonstra dominar muito melhor a arte literária do conto do que anteriores
autores desta colectânea.
A Moeda de
Gonçalo M. Tavares foi o oitavo conto desta série. Um conto que pode parecer
abstracto ou absurdo, de onde emerge a clara a influência de Gogol e até de
Kafka, mas que no fundo é uma parábola interessante acerca da sociedade e do pensamento dos indivíduos. Além
de que está muito bem escrito. Tinha alguma expectativa e não saiu gorada.
Gostei.





