Depois do envio de José Sócrates para um centro de novas oportunidades em Paris e na iminência de Santana Lopes privatizar o Totobola, os sócios desta Taberna sentiram-se obrigados a tomar as rédeas do país, tendo como base de comando este espaço!

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16 de julho de 2013

Espinhas geniais

"a viúva tirava devagarinho as meias ao pai, a mão esquerda o garfo e a mão direita a faca numa delicadeza de extracção de espinhas
- Maria Madalena fez o mesmo ao Senhor
mais perfeita que a avó a dividir o salmonete ao meio e a juntar a pela e a cabeça que o impressionavam num prato mais pequeno
- Podes comer agora
enquanto o avô perseguia as espinhas com a língua, todo ele à procura entre a gengiva e a bochecha, encontrava a aresta, perdia-a, voltava a encontrá-la, empurrava-a com precaução ao longo de um funil de lábios, apanhava-a com dois dedos, esfregava-os um no outro para se libertar dela, secava-os no guardanapo e recomeçava a pesquisa"

Sôbolos Rios Que Vão
ALA

Esta descrição é simplesmente fantástica.
Descrever futilidade é tão mais difícil do que descrever outras coisas.
É (também) aqui que reside a genialidade de ALA.

15 de julho de 2013

Leituras


Ainda em progresso. Mas a genialidade metafórica ninguém a tem como ALA. Seria motivo mais que suficiente para ler o livro. Mas há muito mais...


Llosa, basta? Para mim sim. Ainda não me desiludiu.


Muito interessante a abordagem do autor. Um pouco ao jeito da História Universal de Infâmia, mas em forma psicográfica. Tem 4 histórias hilariantes.

19 de junho de 2013

Peculiaridades

Ontem, sem querer, fui parar a um blog sobre livros. Sinceramente já nem me lembro do nome.
Andava à procura de informações sobre a editora Difel, concretamente sobre um livro - A Obsessão do Fogo de Jean-Claude Carrière e Umberto Eco -, quando me deparei com a informação que a editora tinha cessado actividade em 2011.
Ao pesquisar sobre o assunto dei com um post num blog que falava sobre o encerramento da Difel. Li o post e, por curiosidade e por se tratar de um blog sobre livros, decidi ler mais alguns posts.
Qual não é o meu espanto deparo-me com erros grosseiros de ortografia (não estou a falar de trocar caracteres), de conjugações (os à com e sem h), de semântica e sintaxe básicas...
Ter um blog unicamente sobre livros e incorrer em erros desta natureza é quase tão peculiar como ser médico e não saber de anatomia, ou como ser piloto de automóveis e não saber de mecânica, ou ser estilista e não saber de costura, ou como... Bem, podia continuar com uma infinidade de exemplos.
A grande questão é que não basta ler por ler, há que retirar algo mais dos livros.
Os escritores, aqueles que sabem escrever, têm a missão de transmitir muito mais que apenas uma história ou um conjunto de ideias, transmitem-nos conhecimento, ensinamentos, fazem-nos pensar, e é isso que dá ao acto de ler a excepcionalidade borgesiana.

18 de junho de 2013

O Jardim do Éden

Lá diz o ditado: não há fome que não dê em fartura.


Obrigado a todos os que, de alguma forma, se manifestaram.
E a ti em especial...

6 de junho de 2013

Ida à Feira do Livro


As primeiras compras. Veremos se as últimas.
Mais algumas notas sobre a Feira do Livro:
- é impossível, no mesmo dia, aproveitar a Hora H nas duas maiores praças (Leya e Porto Editora);
- para mim é impossível comprar na Hora H nessas duas praças (não tenho paciência para filas gigantescas);
- a Porto Editora com o seu código de cores na Hora H consegue duas coisas: a) simplifica bastante a vida a quem compra porque é fácil identificar os livros em desconto; b) evita que muita gente questione os critérios de escolha para os livros em desconto;
- a Quetzal não levou As Ilhas Desconhecidas de Raul Brandão para a feira (dizem que deve estar disponível numa Bertrand);
- apesar da intensa procura em todas as bancas de alfarrabistas e nalgumas de editores que já editaram o livro, não consegui encontrar O Jardim do Éden do Hemingway. Quer isto dizer que a busca vai continuar;
- recebi um presente;
- dei um presente;
- a Granta já cá canta;
- ficou-me na retida as Obras Completas de Borges, os 4 volumes, por € 60. Para reflexão.

31 de maio de 2013

Primeiras da Feira do Livro

Com o vento que tem feito nos últimos dias, ir à Feira do Livro depois das 19h é do mais desagradável que se possa imaginar.
O espaço Leya continua com a mesma repelência de sempre.
Gostei de ver uma banca com os livros da AHAB, não me lembro de os ver lá no ano passado.
A Granta estava esgotada.
Não encontrei O Jardim do Éden do Hemingway.
Ainda não fui à banca da Quetzal (maldito vento). É aí que espero encontrar As Ilhas Desconhecidas do Raul Brandão.
Ainda não comprei nada porque o ano passado senti-me espoliado. Comprei livros nos primeiros dias da Feira que nos últimos dias estavam a metade do preço (e não estou a falar de livros do dia nem a comparar horários normais com hora H). Por isso este ano só comprarei nos últimos dias.

24 de maio de 2013

Granta Nº 1



Saiu hoje o primeiro número da Granta Portugal.
Terá periodicidade semestral e para já sabe-se que vão sair pelo menos 4 números.
Apesar do preço, espero comprar este primeiro número.

A besta ressurge

A besta do Sousa Tavares contra-ataca.
As características mantêm-se: falta de educação, maldicência gratuita, dificuldade de convivência em sociedade, enfim, o normal vindo de um ser execrável.
De forma a conseguir usufruir de algum protagonismo numa altura em que promove o lançamento de um novo livro, protagonismo que certamente teria dificuldade em obter apenas pela vertente literária, optou por fazer declarações como esta:
"Nós já temos um palhaço. Chama-se Cavaco Silva".
Triste.

P.s. Ridículo ver o Jornal de Negócios a fazer desta parvoíce a capa de hoje. Pedro Santos Guerreiro está, de facto, numa fase negativa. Que, para seu bem e da classe que representa, se espera que passe rápido. Para ajudar dava jeito deixar de participar naquela parolice semanal da RTP denominada Termómetro Político...

3 de maio de 2013

Companheiro Herzog

Há livros que custam a ler.
Que não apetece devorar.
Cuja vontade em terminar é ténue.
Porque acabar o livro significa dizer adeus à personagem.
Porque a personagem é tão credível que apetece conhecê-la.
Pela identificação com a personagem.
Pela afeição quase real que se ganha àquelas personagens cuja criação só está ao nível dos grandes mestres da escrita.
Saul Bellow criou Herzog.
O meu companheiro Herzog.
Até um dia.

23 de abril de 2013

Um Visão de nada

A Visão comemora os 20 anos e lembrou-se de (ou alguém lhe propôs) colocar a seguinte questão:
Em si mesma, a pergunta não passa de uma idiotice. Uma falácia desprovida de qualquer inteligência.
Terá sido levada a sério porque a agência de meios contratada (e provavelmente foi essa mesma agência que teve a ideia) assumiu que, numa lógica de marketing, vendas e notoriedade da marca, poderia ser interessante. Poderia resultar num enredo de originalidade, ia criar buzz e a revista precisava de algo marcante para assinalar os seus 20 anos. Legítimo da parte de quem vende a ideia. Ridículo da parte de quem compra.
Decidiram então avançar com a campanha sobre a temática d'Os Lusíadas "versão século XXI". Para compor o ramalhete convidam dois "talentosos" graffiters para umas pinturas e JL Peixoto para escrever uma adaptação à obra maior de Luís de Camões em 10 contos, um sobre cada um dos cantos que a compõem.
E era aqui que queria chegar.

Algures, li alguém que tentou definir este primeiro conto de JL Peixoto com apenas uma palavra. A palavra utilizada foi: inenarrável.
Também li o excerto do primeiro conto (será?) e chegou-me. Mau demais.
Nunca vi nada de extraordinário em Peixoto, além de ser um perfeito marketeer dos livros. Continuo a não ver. Confesso que tenho curiosidade em ler o livro da viagem à Coreia do Norte, mais porque o tema me interessa do que propriamente pela escrita. Aliás, se, ao ler umas passagens como quase sempre faço antes de comprar um livro, me parecer que a coisa está muito romanceada e pouco descritiva já nem lhe toco. É uma escrita com a qual não pretendo gastar mais tempo. Já li o que tinha a ler desta personagem. E, devo acrescentar, para mim, a escrita de Uma Casa na Escuridão (2002), é muito melhor que a dos romances recentes. Era uma escrita mais escorreita, mais enleante, mais elegante até. Agora não passa de uma escrita pretensiosa, cheia de manias e pouco genuína.

P.s. Sim, eu sei que é um bocado irónico eu estar a falar no Peixoto no dia mundial do livro. Mas calhou...

Lapidar

"Em todas as comunidades há uma espécie de pessoas profundamente perigosas para as restantes. Não me refiro aos criminosos. Para esses temos sanções. Refiro-me aos dirigentes. Invariavelmente, os mais perigosos procuram o poder."

Em Herzog de Saul Bellow

Dia mundial do livro



Os mais recentes...

18 de abril de 2013

O Rebate - J. Rentes de Carvalho


Acabo de ler O Rebate de J. Rentes de Carvalho, o primeiro livro que li deste escritor português mais conhecido na Holanda que em Portugal.
Como sou seguidor do seu “Tempo Contado” e com já li várias entrevistas, a escrita não me surpreendeu totalmente.
Não obstante, não deixa de ser, de certa forma, inesperado ver esse tipo de escrita reflectido durante um livro inteiro. Não que isto tenha nada de mal, é apenas uma nota.
Rentes de Carvalho pertence àquele género de escritores que “puxa” pelo leitor, tem um vocabulário que impressiona. Obriga quem o lê a estar atento, a estar focado e a ter que pensar para interpretar o que escreve, na forma que escreve. A título de exemplo esta frase dita pelo próprio: “O respeito pelo leitor implica que você não vai julgar que o leitor é estúpido porque ele não é. […] Claro que há uns – inclusive críticos – que não serão capazes de acompanhar, mas a culpa é deles não é minha.”.
Li recentemente “O Cemitério de Elefantes” de Dalton Trevisan, de quem Rentes de Carvalho é confesso admirador, e de facto, há neles muitas parecenças, na forma de escrita, na forma de começar as frases, na forma comprimida, mas altamente eficaz, como expressam acções e vontades.
O Rebate transporta-nos para Trás-os-Montes num Portugal longínquo (será?) anterior ao 25 de Abril. Pobre, rude e sofrível. A forma como está escrito o livro chega a parecer-se com uma película de cinema, tão claras são as imagens, tão reais são as personagens. Chega a haver momentos em que se sente o cheiro da aldeia, o calor, se ouve a mula a guinchar.
É de uma simplicidade a todos os níveis notável.
Já tinha escrito algumas vezes sobre Rentes de Carvalho, tinha para com ele uma sensação de que haveríamos de nos “conhecer” e até de nos “dar” bem. Pois cá está, não fiquei desiludido. Seguirei atento.

Adenda:
Já depois de ter publicado o post, estava a reler uma entrevista de Rentes de Carvalho quando me deparo com esta frase:
"[...] depois veio “O Rebate” e esse era mais feito para ser um guião de filme porque é muito visual."
Confere.

8 de março de 2013

Um sorriso cai sempre bem

É com muita pena, embora sem perplexidade, que leio este post no blogue da Pó dos Livros.
Sou dos que frequenta a livraria (e dos que passa na montra e não entra, também), dos que considera aquele um espaço com cultura para a cultura, dos que percebe o conhecimento profundo da actividade que os livreiros têm, dos que considera a oferta abrangente e cuidada, e um dos que segue atentamente os dois blogues da livraria, este e este.
Mas diga-se a bem da verdade que a simpatia, neste caso a falta dela, dos livreiros residentes, nomeadamente do dono, talvez motivada pela descrença e desmotivação demonstrada no post, não é propriamente a mais acolhedora. Chego até a considerá-la um repelente.
É certo que quando vou a uma livraria não pretendo um atendimento tipo "stand de automóvel", mas um rosto simpático, um cumprimento de ocasião, um simples gesto que indique "esteja à vontade" fica sempre bem. Infelizmente, raras foram as vez que o senti na Pó dos Livros. Não foi, no entanto, por isso que deixei de frequentar e de lá comprar livros. Não se poderá é afirmar que a relação entre livreiro/cliente tenha sido alguma vez "trabalhada" por parte de quem vende.

15 de fevereiro de 2013

Still Virginia Woolf

"Dearest, I feel certain that I am going mad again. I feel we can't go through another of those terrible times. And I shan't recover this time. I begin to hear voices, and I can't concentrate. So I am doing what seems the best thing to do. You have given me the greatest possible happiness. You have been in every way all that anyone could be. I don't think two people could have been happier 'til this terrible disease came. I can't fight any longer. I know that I am spoiling your life, that without me you could work. And you will I know. You see I can't even write this properly. I can't read. What I want to say is I owe all the happiness of my life to you. You have been entirely patient with me and incredibly good. I want to say that—everybody knows it. If anybody could have saved me it would have been you. Everything has gone from me but the certainty of your goodness. I can't go on spoiling your life any longer. I don't think two people could have been happier than we have been. V"

Carta de despedida de Virginia Woolf ao seu marido antes de se suicidar.

Contos de Virgina Woolf ou Descrever o funcionamento do cérebro humano

Ler os "Contos de Virginia Woolf" é como entrar abruptamente num cérebro, neste caso de uma mulher.
Talvez por isso não encontro muita gente que goste de ler Virginia Woolf, e quando encontro são mais os homens que as mulheres. O que me faz alguma confusão. Porque a forma como ela descreve o pensamento humano é absolutamente fabuloso, assustadoramente real e incrivelmente meticuloso.
Podem dizer que não é fácil de ler - o que eu não concordo - mas isso é um argumento demasiado redutor e até preguiçoso para perder tamanha qualidade literária.
Impressiona perceber como é que alguém conseguiu prosaicamente atingir um grau de minúcia sobre algo tão banal, tão inconsciente. Todos temos pensamentos absurdos e constantes a toda a hora, todos imaginamos desenvolvimentos e especulamos mentalmente sobre os mais básicos acontecimentos do dia-a-dia, mas raros são os que têm a capacidade para escrever de forma tão clara sobre eles.
Acabado de ler Ernesto Sabato, outro mestre da descrição do pensamento.
Dois livros com a chancela da Relógio D'Água.

7 de fevereiro de 2013

Ernesto Sabato - O Túnel


Chegado ao fim do Túnel.
Uma obra de arte que é muito mais que um simples testemunho. É um livro que fala do homem e da sua maneira de pensar. Fala de amor, de obsessões, de frustrações, de procuras, de encontros.
Um pintor, aparentemente com algum renome, vivendo numa Buenos Aires dos anos 40 (isto não é indiferente à formação da sua personalidade), de trinta e tal anos (oito, acho) que tem uma relação peculiar com o mundo e com tudo o que rodeia, principalmente com tudo o que é estereotipado, com as pessoas e com a sua arte.
Por um acaso encontra numa exposição sua alguém, uma mulher, que se detém em frente a um dos seus quadros observando fixa e intrigantemente um pormenor da tela, não um casuístico, mas o pormenor. Aquele que o pintor considerava a alma e o dínamo do quadro. Aquele do qual não teria havido qualquer referência por parte de outros visitantes da exposição, muito menos de um crítico que fosse. Esta observação não passou obviamente despercebida ao pintor.
Bastou esse gesto para que ambos percebessem que finalmente teriam encontrado alguém que pensava da mesma forma. Algo que, mais eloquentemente o pintor é certo, procuravam.
A partir daqui uma sucessão de acontecimentos propicia e desenvolve um amor obsessivo que culmina com Juan Pablo a matar María.

Propositadamente saltei do início para o final da história (o autor também o faz logo a começar), não é minha intenção contá-la, muito menos tenho a pretensão de salientar pormenores deliciosos da construção das personagens principais, mormente o pintor. Isso é “trabalho” de quem quiser ler este livro “impressionante” (como Thomas Mann o descreveu) de um escritor a quem voltarei de certeza absoluta. Ernesto Sabato.

6 de fevereiro de 2013

David Hockney

Bigger Splash
(a capa do livro que referi ontem - O Túnel - é dele)
(mais)

5 de fevereiro de 2013

O Túnel


"Bastará dizer que sou Juan Pablo Costel, o pintor que matou María Iribarne; suponho que o processo é recordado por todos e que não necessitam de mais explicações sobre a minha pessoa."

"Existiu uma pessoa que podia entender-me. Mas foi, precisamente, a pessoa que matei."

Duas das frases inicias -a primeira delas é mesmo a primeira - do livro que hoje iniciei. Devo dizer que os 3 primeiros capítulos são incríveis, pelo que se auguram bons momentos de leitura.

Ou muito me engano ou ainda vou voltar a falar deste escritor mais algumas vezes.

29 de janeiro de 2013

Seriedade

"Uma sensação de delicadeza ou receio, algo como respeito e pudor, levou Aschenbach a desviar o olhar, como se não tivesse dado por nada; pois ao observador sério que o acaso faz testemunha da paixão repugna fazer uso, mesmo perante si mesmo, daquilo que presencia."

Thomas Mann - Morte em Veneza