Depois do envio de José Sócrates para um centro de novas oportunidades em Paris e na iminência de Santana Lopes privatizar o Totobola, os sócios desta Taberna sentiram-se obrigados a tomar as rédeas do país, tendo como base de comando este espaço!

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12 de dezembro de 2012

Salad Ensemble

Improvisar = Criar e reproduzir em simultâneo

É um colectivo de músicos que se predispõe a subir a um palco interpretando uma peça onde a criação e a reprodução se tornam um simultâneo. Num universo onde o aparente antagonismo e dispersão musical é instantaneamente modulado e modificado por toda a concepção musical presente na peça reproduzida, a presença de um condutor garante a coerência e a linha abstractamente delimitadora que conjuga e molda as opções musicais tomadas por cada instrumentista. Se o conhecimento do instrumento é fundamental numa vertente experimentalista, a sinceridade, a solidariedade e o respeito musical conjugados entre todos os intervenientes fazem com que a ilusão da improvisação se transforme numa clara e direccionada percepção sonora, constituindo, por isso, uma experiência sempre única para quem dirige, executa e ouve.
Foto daqui

P.s. Texto que escrevi para tentar apresentar o Salad Ensemble. No entanto, tentar descrever um projecto de música improvisada com palavras, ainda que minimamente, pensadas redunda num paradoxo de todo o tamanho. Além de que é uma tarefa absolutamente falível e provavelmente infrutífera.

5 de dezembro de 2012

Banda sonora...

...da tarde de ontem e da de hoje. Redundante? Talvez.
Mas a complexidade (disfarçada) tanto pode funcionar, para alguns, como um repelente ou, para outros, como uma atracção.



O otário do Nicolau Santos

Ontem no primeiro dia do Festival LER 25 anos, quando ia a entrar cruzei-me com Nicolau Santos.
Sim, aquele parolo que escreveu o post - ridículo e bem demonstrativo da desonestidade e enviesamento intelectual que o assola - do menino das bolachas. Sim, é o mesmo parolo que, já o país tinha dado o passo em frente à beira do precipício, continuava a defender Sócrates com a desfaçatez e a manha com que um felino atrai a sua preza. Sim, é esse, o do jornal Expresso e que dantes andava sempre de laçarote para que dessa forma o reconhecessem por alguma coisa, já que pela qualidade da linha de pensamento não devia ser fácil.

A vontade que tive foi pedir-lhe para me ir pagar uma aguardente velha ao bar do São Jorge, usando como argumento o facto de não ter comigo dinheiro suficiente. Com certeza que o bondoso Nicolau tão preocupado (vá, ide ler o post do menino das bolachas que linkei) com a falta de dinheiro dos outros (e com a responsabilização dessa dolorosa realidade a que deve ser totalmente imune) teria todo o gosto em pagar-me a aguardente velha.

On The Road - Festival LER


Ontem fui à antestreia do filme On The Road -  Pela Estrada Fora - do realizador Walter Salles inserida no primeiro dia do Festival LER 25 anos.
Baseado no livro homónimo de Jack Kerouac (que não li, mas fiquei com vontade de ler), o filme relata basicamente uma história dentro de uma história. Onde as relações de amizade de amor são mais profundas do que aparentemente possa parecer. E há-as em praticamente todas as personagens. Relembrei, por momentos, o amor presente em Brokeback Mountain, que só os mais preconceituosos não admitem.
No livro todas as relações se encontrarão com certeza mais pujantes e detalhadas. As personagens são demasiado bem construídas para me ficar pelo filme.
A banda sonora é fantástica, com Dizzy e Parker completamente enquadrados nas cenas nocturnas onde a loucura do álcool, drogas e sexo se evidencia.
A partir de dia 20 de Dezembro nos cinemas.

27 de novembro de 2012

A Piada Infinita

A propósito do meu post - Percepções e Realidade - tomei conhecimento do blog que a Quetzal lançou para promover o lançamento do livro de David Foster Wallace - A Piada Infinita.


Quanto a mim resta-me, na insignificância a que este blog está redundado, agradecer a citação que fizeram de uns parágrafos meus.

Em jeito de conhecimento

Isto dos blogs tem coisas engraçadas. Seguimos pessoas que não sabemos quem são, que não sabemos como são, às vezes nem sabemos se são homens ou mulheres, que idade têm, mas que no fundo começamos a sentir alguma proximidade provocada obviamente pelos conteúdos que lemos, mas também por uma imagem que criamos. Uma percepção da pessoa.
Há pessoas que sigo há vários anos em blogs e é curioso que para quase todas elas tenho um retrato mental. Já me aconteceu esse retrato até ter parecenças com a pessoa (quando mais tarde por alguma razão vi a sua imagem) e o contrário obviamente também. É quase como que desenhar sem ver. Apenas através de informações, informações essas que na realidade são disponibilizadas pelos próprios. É uma sensação estranha, metafísica até.
Só sigo blogs e pessoas (nalguns blogs só leio textos de determinadas pessoas) que me dão alguma coisa. Não raras vezes dou comigo a ter sentimentos que deveriam apenas estar reservados a amigos, familiares ou a ídolos (com quem a interiorização de proximidade é completamente diferente). Sentimentos como preocupação, desilusão, agradecimento, entre outros.

Isto tudo só para saudar o regresso do David (já estava a ficar preocupado) aos blogs. Deixou de estar debaixo do fogão e mudou-se para aqui (http://thegirlfriendthoughtexperiment.blogspot.pt/). Façam o favor de passar por lá porque, além dos temas abordados, das opiniões sempre mordazes mas justas, escreve-se muito bem. E isso nem sempre é norma nos blogs.

20 de novembro de 2012

Percepções e Realidade *

Há alturas em que tenho alguma dificuldade em discernir se as percepções que tenho são de facto a realidade. Filosoficamente a questão poderia ser colocada no prisma das várias realidades individuais e da forma como as percepções dos indivíduos e os estímulos a que estão sujeitos as influenciam e definem ou tendem a definir. Resulta claro que as percepções são ambíguas de indivíduo para indivíduo, mas a realidade, semanticamente analisada não deveria deixar muito espaço para a ambiguidade. Caso contrário a semântica do termo poderá encontrar nela própria um antagonismo.
Outra questão é a forma como, nas tais mesmas alturas, parece que as percepções assumem uma atitude  intrigantemente persecutória, como que a querem comandar a realidade. O que, de certo modo, acaba por acontecer.
Mas, adiante.
Vem esta entrada - provavelmente despropositada e incrivelmente falível ou falhada - a propósito da forma como tenho esbarrado, quase literalmente, em tudo o que é informação, em tudo o que são críticas e opiniões sobre o lançamento, em português do livro de David Foster Wallace, "A Piada Infinita", quer através de vários jornais que me chegaram por puro acaso e que não costumo comprar, quer seja por ter ido parar, de forma totalmente casuística e até arbitrária, a alguns blogs e sites.
Ainda para mais não há uma única opinião que tenha lido que não considere o autor e o livro geniais. Embora, em alguns casos, haja a assumpção e a honestidade de assumir que não terminaram o livro. O que não invalida que a percepção da genialidade esteja formada.
Desde sexta-feira que consumo informação sobre este tema. E a percepção que tenho é que a realidade atribuiu uma relevância enorme a este feito. Pergunto-me, nesta altura (uma das tais): 
terá sido esta a realidade ou simplesmente mais não foi que a minha percepção?

P.s. Não sei se algum dia lerei o livro, se o fizer não o colocarei no currículo (como desejava a jornalista do i), mas definitivamente vou querer tê-lo.

*Título, unicamente o título, retirado de um livro de Santana Lopes.

15 de novembro de 2012

Hoje Teatro


6 de novembro de 2012

Curiosidades

Ontem durante a hora de almoço tinha planeado comprar a revista LER deste mês. Mas depois de almoçar fiquei sem dinheiro suficiente e por isso teria que levantar para a poder comprar. Apontei para o fazer depois de sair do trabalho ao final da tarde. Ignorando na altura desse apontamento que teria que sair a correr porque tinha reunião de condomínio às 19h.
Claro que saí do trabalho em cima da hora e, como ainda não tinha levantado dinheiro, passei pela banca de revistas e nem sequer parei a contemplar, durante uns segundos, as capas dos jornais e das revistas, como faço habitualmente.
Ao entrar no metro, já a falar ao telefone, passo pelas portas automáticas e os meus olhos dirigem-se, como que alertados, para o chão. Onde encontro uma nota de 5 €. Delicada e naturalmente, baixo-me, apanho a nota e coloco-a no bolso. Sem parar a conversa telefónica.
Decido instantaneamente, e sem o comunicar a quem me acompanhava telefonicamente que seriam destinados à revista LER.
Ela aqui está:


5 de novembro de 2012

Crescimento, cultura e sociedade

1 - Haverá alguém contra o crescimento económico?
Acho que não.
2 - Haverá alguém contra o crescimento desenfreado da dívida para simular crescimento económico?
Acho que sim. Se fossemos um país com bons níveis de cultura (não necessariamente habilitações literárias) todos seríamos contra.

A proposta do PS para atingir a premissa 1 passa por executar a premissa 2.

Quem quiser continuar a acreditar nesta mentira pode fazê-lo. Quem quiser ser sério e intelectualmente honesto percebe que não é possível crescer economicamente sustentado por dívida. Basta aplicar esse exemplo à sua vida particular ou a uma empresa e facilmente perceberá isso.
Só se consegue crescer economicamente de forma sustentada com eliminação de défices estruturais, nomeadamente balança externa e saldo primário. Como é que isso se faz? Gastando menos do que se ganha e exportando mais do que se importa (sim, somos dependentes de alguns bens, já sei que sim, mas pelos vistos é possível equilibrar a balança). São mecanismo dinâmicos e têm necessariamente que ter uma correlação muito positiva. E mesmo assim pode não ser o suficiente para reduzir nominalmente a dívida, mas será, pelo menos, suficiente para não a aumentar. E, com alguma durabilidade, funcionará na redução nominal da dívida.

O resto são mentiras e farsas que um tal de Tó-zé, completamente ignorante, apoiado por uma máquina propagandista de um PS, completamente execrável, querem fazer passar a um povo, na sua maioria inculto, com a conivência de uma comunicação, completamente irresponsável.

Ter um partido a propagandear sistematicamente que a solução do pais está no crescimento económico sem explicar claramente como fazê-lo e tendo em linha de conta o histórico recente do seu modus operandi - contraindo dívida de forma abrupta e sem critério na sua aplicação -  é de uma tristeza atroz e demonstra a falta de educação, formação e preparação das nossas gentes. No fundo, a falta de cultura.
Ter uma sociedade culta (educada, formada, preparada e com capacidade crítica e de análise), mais que qualquer outra, será a melhor forma de termos um futuro melhor. E, infelizmente, essa sociedade ainda não existe, caso contrário seria impensável Sócrates ter ganho duas eleições. Quem votou em Sócrates  na 2a eleição (dou de barato a primeira) demonstrou uma total inconsciência e impreparação para viver numa sociedade que se quer culta e responsável. Só para referir um exemplo.

30 de outubro de 2012

Maradona


Parabéns ao melhor jogador de sempre!

26 de outubro de 2012

Para sábado - SMM




Tudo convidado!
Toca a aparecer!

18 de outubro de 2012

Cantar Tango é para quem o sabe sentir

Hoje de manhã vinha a ouvir a Antena 2 (sim, nem toda a gente ouve a Comercial de manhã) e entre músicas, por volta das 8h veio o noticiário.
Como é apanágio da estação, não foi um daqueles noticiários típicos dos últimos tempos, cheios de ruído e de notícias dadas ao desbarato e sem a mínima análise. A exemplo da RTP2 que tem o melhor telejornal nacional, também a Antena 2 tem o melhor noticiário da rádio. Deve ser do número.
Um dos convidados hoje era José Jorge Letria (JJL), que explanava o seu raciocínio acerca do Secretário de Estado da Cultura e sobre um manifesto sobre a Cultura. Não sendo totalmente de acordo com a sua posição, percebe-se rapidamente que o interlocutor é uma pessoa culta e da cultura e isso faz toda a diferença na forma como se abordam as questões e como se colocam as opiniões.
A determinada altura vem à baila o Tango. Parece que JJL cantou Tango e chegou a gravar discos a cantar Tango. A propósito, foi-lhe solicitado que cantasse um Tango em directo (depois de ter passado um excerto de uma gravação do mesmo Tango que iria cantar). Cantou o Tango dos Pequenos Burgueses - Gravado com José Mário Branco em 1969 em Paris (segundo o próprio).
Foi pouco mais que desastroso. Uma autêntica afronta aos Maestros del Tango.
Como JJL referiu: hoje em dia já não canta.
Acrescentaria eu: Obrigado por tão profícua decisão!


P.s. Para quem goste de Tango, de música em geral, ou do espírito de Buenos Aires, recomendo este documentário. Que ainda há poucos meses passou na RTP2.

16 de outubro de 2012

Pena

É o que sinto do povinho português.
O povinho das manifestações.
O povinho a que a esquerda apela.
O povinho que não consegue perceber nada do que se passa no mundo.
O povinho que elegeu duas vezes Sócrates.
Pena.
Não consigo sentir mais nada por essa gente.

12 de outubro de 2012

Também há um ano

A propósito do último álbum da Tori Amos sobre o qual já foi feita referência aqui, veio-me à memória que há cerca de um ano estava em Roma a assistir ao meu segundo concerto dela.
Curiosidade que, exactamente no dia 12 de Outubro, escrevi sobre um dos 3 dias em Roma, a propósito de uma espécie de reportagem de viagem, para um blog de alguém muito especial. Deixo o link (aconselho  a visita porque além do texto têm as fotos e podem consultar os outros 2 dias da reportagem) e segue-se a transcrição do texto:

:::É como ir a Roma e não ver....a Tori!!:::| dia 2

Organização é tudo. Ainda mais quando o tempo é limitadíssimo. Acordar de madrugada. Quinze minutos é o tempo que cada um deve demorar a preparar-se, garantir que isso acontece depende de todos.
“Em Roma sê romano” por isso mesmo o pequeno-almoço incluído na tarifa do Hostel foi num restaurante…Filipino. Restaurante este que, a julgar pela macia cozedura do pão servido, deveria ter um acordo com um qualquer dentista…talvez Filipino.
Termini – Ottaviano de metro. A pé, seguindo milhares de pessoas, passando por dezenas de vendedores de tours cujo principal desafio era acertar na nacionalidade de quem por eles passava só pela aparência, até ao Vaticano. Imponente, não pela grandeza da praça de São Pedro, mas pelo ambiente que paira, pela penumbra muitas vezes disfarçada (muito mais que em Fátima) das emoções. Por certo influenciada pelo tamanho das filas de espera, pela afluência exorbitante de turistas, principalmente orientais e brasileiros quase todos pouco dados a transmitir a imagem, verdadeira diga-se, de um Brasil sentimental e devoto.
Bilhetes pré comprados na mão significa evitar uma fila que tinha com certeza horas e que deitaria por terra todo o esforço da Organização. Entrada no museu do Vaticano. Capela Sistina só no fim, até lá toda uma viagem por salas, salões, galerias, esculturas, quadros, tapeçarias, frescos. Uns com interesse outros nem tanto. Esplendoroso é com certeza, completo também, mas para quase todos não passa de um percurso, demasiado longo para muitos, até ao ansiado e arrebatador final. Monumental, fantástico, glorioso,… Chiiiiiiu! Silence! No photos!
Depois de tanta arte junta, um simples spaghetti seria percepcionado como uma estranha opção. A complexidade de um Gnocchi foi a opção. Saboroso por sinal, reconfortante no final.
“Salve, César!”. Chegámos! Imperial! Não há muito mais a dizer. Gladiadores, leões, lutas, mortes, milhares a assistir, são as imagens que chegam a uma velocidade incrível sem passarem por qualquer filtro. De volta à realidade.
A Organização está a cumprir. Próxima paragem: Piazza Navona. Capuccino, gelado e cervejas. Não se discutem valores, exerce-se um ritual.
“Ao fundo à esquerda.” Cá estão eles! Os três Caravaggio’s na igreja de San Luigi dei Francesi.
De mapa em riste, serpenteando ruas e mais ruas até chegar à Fontana di Trevi. Desta vez de dia e agora sim para cumprir a tradição e mandar a moeda.
Piazza di Spagna fica quase no final da rota de um dia repleto de caminhadas, de conversas, de olhares, de momentos, de pessoas, de muitas pessoas. A Via dei Condotti veste-se de gala para nos receber e abre-nos a porta para a eloquência, para o charme, para o glamour, para a extravagância.
Quase na hora do mais aguardado momento, afinal o motivo da viagem. Por puro acaso foi Roma que se perfilou como a melhor opção, maximizando a equação de hipóteses, mas poderia ter sido outra cidade qualquer, porque na realidade o objectivo era superior e transversal à localização.
Parco della Musica – Sala S. Cecília, destino final! Uau! Que espaço fabuloso! Stress! Não há fotos! Ups! A segurança não resiste! Há fotos!
Baixam as luzes de sala, entra o quarteto de cordas, fantástico diga-se, começa o espectáculo! Ela entra! Delírio. Paixão. Alívio (é mesmo ela!). Missão cumprida. Música.
Desfrutar. Imaginar. Pensar. Voar. Sonhar. Respirar. Ouvir. Sentir. Pressentir.
Pizza (what else?) para reconfortar a alma, ainda em estado eufórico.
Dormir.

4 de outubro de 2012

Belo palco


Tomorrowland 2012

2 de outubro de 2012

Festival Materiais Diversos 2012

Visto de Fora


Não poderia iniciar-se este artigo sem a ressalva de que não se pretende que as linhas que se seguem sejam uma crítica especializada e de especialistas aos espectáculos - concepção e apresentação -, mas tão só um olhar visto de uma óptica que terá sido provavelmente a que mais vezes foi utilizada por quem frequentou a 4ª Edição do Festival Materiais Diversos (FMD): a de um público atento, apreciador, disponível e culturalmente desperto para as artes, os espectáculos e todas as diferentes formas de demonstrar e promover a cultura.

Mais prolongado que em edições anteriores, a edição de 2012 do FMD, estendeu-se ao longo de 3 semanas (14 a 29 de Setembro), optando por concentrar nos fins-de-semana a maioria dos espectáculos e actividades. O formato manteve as características intrínsecas assumidas desde a primeira edição e que se têm vindo a consolidar de forma inequívoca. A grande novidade deste ano esteve relacionada com a presença de vários espectáculos de e com artistas brasileiros, que em muito valorizou o Festival. Prova que muitas vezes com as contrariedades, nomeadamente de cariz orçamental segundo o Editorial do FMD, surgem boas oportunidades de reconversão ao modelo previamente definido.

A classificação de espectáculo “à Diversos” é já uma assinatura bem presente no léxico do público que tem assistido ao longo da existência do festival regularmente aos espectáculos. Não devendo ser interpretada com sentido pejorativo, mas sim de uma forma característica e idiossincrática, que na prática resume em si uma das principais propriedades que o FMD se propôs desde início, tornando-a já uma marca.

Na impossibilidade de abordar aqui todos os espectáculos, destacar-se-ão alguns.


Sexta-feira, 14, 21h30min, a coreógrafa Marlene Freitas recebe-nos (literalmente) numa BlackBox completamente lotada e onde o calor se tornaria impossível de aguentar sem recurso aos leques distribuídos à entrada. Prepara-se para nos mostrar o seu “Paraíso” que passou por uma evolução coreográfica e conceptual dicotómica ao som de dinâmicas musicais controladas pela coreógrafa e com uma selecção musical cirúrgica, onde brilhou o tema “Psycho Killer” dos Talking Heads. Estava dado o mote para a 4ª edição do FMD.

Domingo, 16, na BlackBox, subiu ao palco a peça de teatro “Dulce”, representada por 4 actores, 2 brasileiros e 2 portugueses. Uma interpretação magnífica em que alegoricamente se representam duas sociedades tão próximas mas simultaneamente tão distintas com recurso a lugares comuns e ao quotidiano vulgar de dois casais que se encontram para uma refeição.


“Penthesilia” de Martim Pedroso, foi à cena no CTSP em Alcanena, no dia 21. Um espectáculo bastante aguardado e que prometia muito. Quem o viu não ficou com as expectativas goradas. Cénica e cenograficamente brilhante, um jogo de luzes impressionante, uma qualidade de representação dos 4 principais intérpretes fantástica, pese embora a barreira linguística, e um vídeo assombroso por tão envolvente. Nem as dificuldades técnicas de alguma dessincronização das legendas e dos volumes sonoros beliscaram a qualidade do espectáculo. Matim Pedroso tem sido um habitué do FMD (presente em todas as edições) e tem sido recompensador assistir à sua evolução como artista e criador.  Nota final para a envolvência da comunidade local neste espectáculo.

O Teatro Virgínia acolheu mais um dos espectáculos vindos do Brasil. Foi no dia 22 que a coreografia “Baseado em Fatos Reais” se apresentou a uma plateia pouco preenchida. Uma abordagem a algumas danças tradicionais brasileiras acompanhadas pela musicalidade de instrumentos típicos, fizeram deste espectáculo um momento muito agradável. Dois pormenores fizeram a diferença: - a captação sonora dos instrumentos estava perfeita, o que proporcionou uma sensação de maior envolvência com o espectáculo; - a possibilidade de subir ao palco no final do espectáculo para poder ver de perto as 1800 fotografias utilizadas e assim perceber grande parte do que se tinha acabado de passar no palco.


Denise Stutz, na BlackBox, com “3 Solos em 1 Tempo” desmistificou e demonstrou como a contemporaneidade da arte, neste caso da dança, pode perfeitamente passar pela simplicidade de conceitos e pela relação directa com o público, sem distorções e intelectualidades.

“Branca de Neve” foi o único espectáculo que subiu ao palco do Cine Teatro Rogério Venâncio nesta edição do FMD. Foi também o único projecto totalmente entregue à comunidade local, optando por uma modalidade já anteriormente utilizada no festival: “coaching” e apoio técnico garantidos pelo FMD. Não foi por isso que deixou de ser um espectáculo com pormenores muito interessantes, limpo, fluído, bem pensado e bem interpretado.


Com o penúltimo dia do Festival chegou aquele que, porventura, terá sido um dos melhores espectáculos da edição deste ano. Os brasileiros Foguetes Maravilha interpretaram “Ninguém falou que seria fácil” de forma soberba. Um texto genial resultou numa encenação sarcástica e labiríntica, mas simultaneamente divertida e envolvente. Contagiou o público e fez com que o sentimento, nem sempre fácil, de dominar o público se sentisse de forma clara. A ter que optar por o melhor espectáculo do FMD 2012, sem dúvida, a escolha recairia neste teatro.

Atlas, no Teatro Virgínia, dia 29, ousou transportar para o palco a partilha da experiência de vida de 100 pessoas da comunidade local (voluntários). Apesar da ideia ser engraçada, a monotonia da repetição tornou o espectáculo cansativo e após as primeiras 40 experiências partilhadas, completamente desinteressante.
sportar para o palco a experi|e de festival mais marcante.

Este ano a edição do FMD contou ainda com 3 concertos de música, 2 deles no improvisado palco do Museu da Aguarela Roque Gameiro, um local que de facto poderia e deveria ser muito mais utilizado para este tipo de eventos. No primeiro sábado do festival com Miúda A2 e no segundo com Noiserv. Para terminar, um concerto no Coreto de Minde dos leirienses Nice Weather for Ducks que, nos últimos temas mantiveram os sons electrizantes que caracterizam o universo musical dos seus membros e já conhecidos de projectos como Team Maria, embora não tenham tido a capacidade para agarrar um público que marcou presença e que esperava um final de festival mais marcante.

As noites do Ponto de Encontro foram um dos expoentes do FMD 2012. Mantendo a fórmula da gestão entregue a um grupo de voluntários e optando por entregar a DJ’s a responsabilidade de animar as noites, mais uma vez se verificou a forte adesão da população de Minde e arredores, proporcionando um saudável encontro de gerações e uma simbiose cultural de facto.

E porque a edição deste ano do FMD se inicia com e a falar de números termina este artigo também com alguns números. 1099 palavras, 6940 caracteres (com espaço), 5860 caracteres (sem espaços), 15 parágrafos, 11 espectáculos abordados.


Fotos Joana Patita

6 de setembro de 2012

Ainda na Zambujeira do mar

Zambujeira do mar



p.s. a mancha já é problema do iPhone.